Lutar é justo!!! Contra a repressão resistir é nossa única saída!!!

Desde o início de sua fundação o estado brasileiro tem sido constituído através da morte e assassinato em massa. Embora a forma como os indígenas brasileiros, os negros e os imigrantes foram consumidos pela ganancia e violência dos donos do poder mereça ser destacada em um post posterior, neste post focarei em demonstrar a importância de rebelar-se contra o atual status quo dominante e as dificuldades encontradas neste caminho. Procurarei abordar o cenário da repressão estatal contra aqueles ativistas que durante a ultima década se enfrentaram com o poder político estabelecido e como a repressão do estado foi seguida de avanços na resistência popular, explodindo na revolta de 2013. Terei como foco os movimentos de resistência da juventude que foram sem dúvidas o pivô dessas lutas e desse movimento de choque complexo. Também é preciso destacar o caráter autonomista e independente desse ciclo para que se possa compreender que neste processo existe uma clara quebra do antigo modus operandi de ação política baseado na representatividade. Com este pensamento pode-se entender como essa crise na confiança em velhas lideranças não acabou por levar a substituição das mesmas por novas direções e sim levou a quebra desse paradigma organizacional entre direções e bases, empurrando a resistência estudantil para lutas nas quais já não se utilizavam mais dos engessados e antigos mecanismos controlados pelos partidos políticos. Rompendo com essa lógica estadista de pensamento as ruas logo começaram a a ser tomadas por manifestações que variaram muito em intensidade e pautas, mas que colocaram para o estado uma nova perspectiva de ação a ser controlada agora já sem seus antigos e cooptáveis representantes os jovens organizados em torno de pautas próprias deveriam ser aplacados pela força novamente. É notável como a entrada do governo petista no poder federal ajuda a acelerar e alimentar esse processo de ruptura e como o emparelhamento das entidades estudantis com os interesses e práticas dos partidos autoritários afasta essa camada em ruptura da perspectiva de conformação de uma nova força central de poder em caminho para uma alternativa autogestionada de ação.

Das manifestações pelo transporte à jornada de 2013, a juventude se coloca em movimento.

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Partindo do movimento de reorganização da juventude ocorrido com a eleição petista em 2002 uma onda de lutas sacode às ruas do Brasil. Em agosto de 2003 estudantes organizados livremente em suas escolas agitam as ruas da cidade de Fortaleza e iniciam o movimento que foi o prelúdio das jornadas de 2013 e mais tarde ficou conhecido como a Revolta do Buzu. Durante cerca de um mês uma gama de experiências fundamentais foi acumulada e é importante agora um resgate desses acontecimentos afim de se aprofundar o entendimento do por que o estado de exceção torna-se cada vez mais latente. Com o decreto de aumento da tarifa as manifestações explodem de forma descentralizada e espalhada por várias regiões da cidade o que no inicio gerou conturbação com grandes disputas e desentendimentos entre os manifestantes livremente organizados ali, onde simples questões como rotas ou bloqueios de vias tornavam-se grandes divergências, porém com o passar dos primeiros dias a própria dinâmica das ruas tomou para si o domínio das ações. Superada essa fase de primeiro contato com essa forma descentralizada de manifestação a força que se expressa em combate bate todas as expectativas e deixa de mãos atadas a prefeitura, que após dias de caos nas ruas para tentar deter a luta lança mão de convocar os militantes partidários para para-la. Após reunir-se com militantes da UNE e UBES, filiados a partidos como o PCdoB e o PT, o poder executivo municipal e os dirigentes estudantis entram em acordo sobre o fim das manifestações e passam a trabalhar para a derrota da mesma. A repressão do estado recaí sobre os alunos ao mesmo tempo em que os partidos servem de quinta coluna e fazem o trabalho de destruir o movimento por dentro enquanto as mídias intensificam seus ataques. Após aproximadamente 20 dias de resistência contras as forças da reação, finalmente as manifestações se dispersam e embora não conquistem a redução do bilhete uma série de pequenas concessões que inclui congelamento do valor da passagem foram feitas e o mais importante uma grande lição foi relembrada a lição de que se o povo quer conquistar seus desejos não pode confiar em direções verticais e partidos políticos. Nos anos seguintes uma série de lutas contra as máfias toma conta do país, passando por cidade como Florianópolis, Juiz de Fora, Rio de Janeiro, São Paulo, etc…  Um ponto importante a se destacar é a plenária de fundação do MPL em janeiro de 2005 no fórum social mundial de Porto Alegre, onde uma maioria de militantes independentes caracteriza a linha organizativa da ação política por meio dos princípio horizontalidade, apartidarismo, autogestão e federalização. A principal característica nessas lutas é a espontaneidade popular e a falta de uma liderança tradicional que pudesse negociar com os poderes instituídos.

2013: Da consolidação da livre organização nas lutas da juventude à repressão estatal.

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Com o já anunciado aumento da passagem de ônibus no domingo dia 2 de junho de 2013, a cidade de São Paulo assiste na segunda-feira dia 3 diversas escolas secundaristas saindo às ruas em protesto contra o aumento, nos 2 dias seguintes uma especie de jogo de caça entre gato e rato ocorre entre a policia e os estudantes que se manifestam e são dispersados em vários pontos diferentes da cidade. No dia 6 de junho ocorre o primeiro ato convocado pelo MPL contra o aumento e em solidariedade aos alunos secundaristas agredidos pela policia. Em resposta às manifestações a policia ataca e dispersa cerca de 2 mil manifestantes, que indignados convocam uma nova manifestação para o dia seguinte onde mais uma vez a policia ataca brutalmente uma multidão de agora 5 mil manifestantes. A violência policial contra essas manifestações massivas atinge picos até então inéditos após a queda da ditadura e a solidariedade do RJ se demonstra em um grande ato no dia 10 e mais uma vez a presença da violência policial se destaca, no dia 11 as duas cidades realizam grandes manifestações. Conforme os dias passam a violência policial encontra dificuldades em derrubar a resiliência dos protestos e no dia 13 de junho provocam um verdadeiro banho de sangue, onde imagens de manifestantes, jornalistas e simples cidadãos desavisados foram exibidas juntamente com as feridas produzidas por balas de borrachas, bombas de efeito moral, de gás lacrimogênio e de pimenta, e pelos golpes de cassetete. As cenas inundaram as páginas dos principais jornais do país e das redes sociais com imagens de rostos ensanguentados, olhos perfurados, cabeças rompidas, corpos rasgados; além de infinitas cenas de humilhação, truculência e arbitrariedade policial. Imediatamente produz-se uma vasta onda de indignação conferindo às manifestações um novo ímpeto. No dia 17 de junho em diversas cidades do país cerca de 250 mil pessoas se manifestam e colocam de joelhos toda a autoridade. Tendo em 2 dias diversas cidades brasileiras sido tomadas pelo caos onde o aparato repressivo policial se amiudava perante a grandeza do povo nas ruas, prédios simbólicos como prefeituras e câmaras de vereadores foram atacados, nas capitais as assembleias legislativas também não escaparam, fazendo um clima de medo e incerteza pairar sobre as decisões governamentais e no dia 19 de junho para tentar conter as ruas diversas cidades incluindo SP e RJ decretam o até então dito impossível revogamento do aumento. No dia 20 de junho 1 milhão de pessoas toma as ruas de diversas cidades, em Brasília o palácio do Itamaraty (sede do Ministério das Relações Exteriores) é atacado e incendiado durante manifestação que reuniu 30.000, no Rio de Janeiro o impressionante número de 300.000 manifestantes transformaram as ruas do centro da cidade num campo de batalha; em São Paulo 110.000 tomaram as ruas. Seguindo esse processo a luta contra a copa das confederações coloca em xeque o projeto dos mega-eventos esportivos no Brasil quando manifestantes cercam os os estádios onde ocorrem os jogos da seleção e acabam por ofuscar a festa da vitória. Como reflexo dessa nova fase de fortalecimento da resistência popular e se preparando para defender a copa do mundo FIFA 2014, o governo ataca os direitos individuais de livre manifestação e cria uma verdadeira epopeia de perseguição contra manifestantes em uma rede de operações policiais e midiáticas baseadas em difamações e mentiras.

A perseguição pós 2013: Rafael, Caio, Fábio e o caso dos 23 condenados

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Rafael Braga foi preso em 20 de junho 2013(dia de maior concrentação de participantes nas manifestações da jornada de 2013) portando uma garrafa de pinho sol e é o mais emblemático exemplo de como a perseguição do estado contra os manifestantes que se rebelam contra a ordem social estabelecida é também uma questão de raça e classe. Após a circulação nas mídias sociais da verdade e uma grande repercussão a sua acusação de portar aterfato explosivo(fato iveridico fundamentado em falsas provas) resultou em uma condenação que foi aliviada por prisão domiciliar monitorada por tornozeleira em dezembro de 2015. Porém a sua saga não estava terminada e no dia 12 de janeiro de 2016 é mais uma vez vítima das garras repressivas do estado e desta vez um flagrante forjado(precisamos lembrar que a lei antidrogas foi aprovada durante o governo Lula) é responsável por colocalo mais atrás das grades. Durante mais de 1 ano Rafael fica preso e acaba em setembro de 2017 ganhando o direito a prisão domiciliar para tratamento médico saindo apenas  para se tratar de tuberculose. Hoje quase 10 meses após sua soltura Rafael continua condenado por duas coisas que jamais cometeu totalizando uma prisão de mais de 15. Outras duas vítimas do avanço da reação capitalista aliada a suas asas da esquerda e da direita foram Caio Souza e Fábio Raposo, onde atráves do trabalhao nas redes sociais esquerda e direita pintaram os adeptos da tática Black Bloc como terroristas, vândalos, infiltrados, criminosos, que deviam ser expugnados das ruas assim colaborando assim com a burguesia que atrvés da televisão cria um verdadeiro show de horrores imputando a dois jovens a responsabilidade da morte do cinegráfista Santiago. Com imagens inconclusivas e depoimentos sem o direito da presença de advogados colhidos por reporteres ambos acabam por serem indiciados e agora aguardam em liberdade o julgamento de um júri popular. Com a preocupação de uma rebelião que pudesse abalar a realização da copa do mundo em 2014 o governo Dilma lança mão do plano de segurança nacional, que após uma campanha de ameaça e terror termina por prender 23 ativistas sobre a acusação de formação de quadrilha e associação criminosa. Elisa Quadros Pinto Sanzi, Luiz Carlos Rendeiro Júnior, Gabriel das Silva Marinho, Karlayne Moraes da Silva Pinheiro, Eloisa Samy Santiago, Igor Mendes da Silva, Camila Aparecida Rodrigues Jordan,  Igor Pereira D’Icarahy, Drean Moraes de Moura, Shirlene Feitoza da Fonseca, Leonardo Fortini Baroni, Emerson Raphael Oliveira da Fonseca, Rafael Rêgo Barros Caruso, Filipe Proença de Carvalho Moraes, Pedro Guilherme Mascarenhas Freire, Felipe Frieb de Carvalho, Pedro Brandão Maia, Bruno de Sousa Vieira Machado, André de Castro Sanchez Basseres, Joseane Maria Araújo de Freitas, Rebeca Martins de Souza, Fábio Raposo Barbosa, Caio Silva de Souza, foram transformados pela grande mídia e pelos partidos da esquerda e da direita nos rostos que representam a tática black bloc, porém todos sabemos que ninguém pode ser tido como líder daquelas manifestações. No dia 17/07/2018 o juiz Flávio Itabaiana, do Tribunal de Justiça do Rio, condenou à prisão os 23 ativistas demosntrando que o estado pretende aumentar o alcande da sua força repressiva. Nós como anarquistas precisamos nos levantar mais uma vez e dizer um basta para o massacre daqueles que lutam!!! Liberdade para os presos políticos, prisão para os políticos livres!!!

fontes:

https://vimeo.com/226910664

https://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/especiais/protestos-2013/index.jpp

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